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Manejando a ansiedade nas consultas de saúde

Autora: Iris M. Okumura

            Fobias são medos extremos que algumas pessoas podem ter em resposta a uma percepção distorcida de perigo frente a uma situação, animal, experiência ou objeto. A fobia é como uma ansiedade prevalente e mais intensa que pode impossibilitar a pessoa de ter atividades normais, levando-a a evitar a qualquer custo os gatilhos relacionados ao medo. Em alguns casos, as fobias podem impactar significativamente a qualidade de vida e a saúde física, principalmente se for iatrofobia, a Síndrome do Jaleco Branco.

            É caracterizada pelo medo excessivo de tudo que está associado ao cuidado com a saúde, desde médicos e profissionais de saúde, locais de tratamento, exames, vestimentas / uniformes ou instrumentos de saúde. Está na categoria de diagnóstico de transtornos mentais das fobias específicas, em que se pode sentir ansiedade, pânico, ou comportamento evitativo e resistência para cuidar da própria saúde ao pensar sobre ou encontrar médicos, profissionais de saúde, ir a hospitais ou realizar tratamentos.

            Como as pessoas com esse tipo de fobia evitam médicos, é difícil estimar quantos pacientes experienciam a iatrofobia. Entretanto, alguns sintomas ansiógenos são percebidos na rotina de atendimento clínico e estudos sugerem que sentir ansiedade em relação à  saúde afetam muitas pessoas em níveis variados de medo. É comum se sentir ansioso em relação a uma visita médica, mesmo sem ter fobia. Apresentar a pressão arterial elevada é o sintoma mais comum associado à Síndrome do Jaleco Branco. Mas atenção! Sentir ansiedade ou tensão próximo a uma consulta, é diferente de ter uma fobia!

Dr. Paul Ch’en, médico e fundador do Projeto Oxford de Longevidade (The Oxford Longevity Project), explica que a iatrofobia “pode se desenvolver de experiências médicas negativas, medo de adoecimento, ou até ansiedade específica sobre um determinado procedimento médico. Se você tem iatrofobia, esse medo pode interferir na busca por cuidado médico necessário – que, é claro, pode ter sérias consequências para a sua saúde”2.

O que causa iatrofobia?

A iatrofobia é mais do que o medo de médicos ou hospitais. É resultante de um “conjunto de fatores biológicos, psicológicos, sociais e comportamentais que constituem um fenômeno biopsicossocial e multifatorial”1. Pode ser desencadeada por vários estímulos ou aspectos simbólicos, por exemplo, ambientes, sons, cheiros, instrumentos (seringas, perfurocortantes), profissionais ou vestimentas. As possíveis causas incluem fatores prévios associados ao medo (em qualquer período anterior, da infância a eventos mais recentes), à dor, desfechos negativos em saúde, transtorno de estresse pós-traumático que se desenvolve depois que a pessoa experiencia ou testemunha um evento médico traumático, preocupação sobre perda de controle e até representações sócioculturais em torno da assistência à saúde.

“A mídia popular geralmente retrata médicos ou profissionais da saúde em momentos negativos ou estressantes. Isso pode ampliar medos, especialmente de você tiver pouco contato direto com médicos”2. Pessoas que já sofreram de transtorno de ansiedade generalizado, transtorno do pânico ou outras fobias específicas têm uma chance maior de desenvolver a iatrofobia.

Como tratar a iatrofobia?

A conduta do tratamento deve ser ampliada, envolve técnicas de relaxamento, utilização de fármacos quando necessário (inibidores seletivos da recaptação de serotonina e de serotonina-norepinefrina) e abordagens psicoterapêuticas. A psicoterapia pode ajudar as pessoas a identificar e mudar pensamentos negativos, crenças e comportamentos relacionados ao medo de ambientes médicos. Por exemplo, pensamentos como “médicos sempre me dão más notícias” são ressignificadas para uma crença mais realista e menos ansiógena, por meio de técnicas de exposição gradual, dessensibilização sistemática e terapia da fala.

Além disso, profissionais de saúde também podem ajudar o paciente a enfrentar a iatrofobia. Construir confiança e proporcionar cuidado humanizado – empático, acolhedor e comunicativo. O objetivo é promover um melhor relacionamento profissional-paciente, redução do medo e melhora do cuidado à saúde. É importante que haja abertura para diálogo nas consultas, oferta de escuta atenta, compreensão e troca (discussão construtiva e saudável) para compartilhar a responsabilidade da saúde e bem-estar. Ambos os lados pró-ativos no acompanhamento clínico, de um lado a assistência, de outro, papel ativo em fazer mudanças em prol da saúde.

“Seja aberto e honesto, e tenha toda informação relevante sobre sua saúde e estilo de vida para ajudar o seu médico a entender melhor a sua situação”2. Sugere-se o preparo de uma lista dos seus sintomas, histórico médico, medicações em uso, incluindo suplementos não prescritos e outras perguntas ou preocupações que você tiver sobre o diagnóstico ou o tratamento.

            Pode parecer mais fácil adiar uma consulta, mas lembre-se que uma visita médica pode salvar a sua vida. Superar preocupações ou medos é crucial para a sua saúde. Dicas2:

Referências
Lima, L. G. A. et al. (2025). Síndrome  do  jaleco  branco:  humanização  no  cuidado  de  pacientes  com iatrofobia. Revista JRG de Estudos Acadêmicos,18(e181867). DOI: 10.55892/jrg.v8i18.1867. Acesso em: 17 de junho de 2025.
Raw, V. (2025). Facing your fear of the doctor: tips for easing medical anxiety. Patient Info. Disponível em: https://patient.info/news-and-features/overcoming-iatrophobia-tips-for-facing-your-fear-of-the-doctor?_sc=OTE1MTA4MSMzOTE5NzQ%3D&utm_campaign=Newsletter+105+-+Tuesday+17th+June+2025&utm_id=17&utm_medium=email&utm_source=brevo. Acesso em: 17 de junho de 2025.

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